Querido Alguém,
Às vezes me assusto com o tempo. Com sua velocidade e a agilidade que os fatos acontecem. É impressionante como os anos voam e as horas tendem a se arrastar. É engraçado como algumas lembranças parecem tão próximas, mesmo tão distantes. É isso que assusta, o quanto o passado consegue correr contra o tempo, ou mais rápido que ele, e nos alcançar no presente. É bonito olhar para erros e acertos que nos trazem para onde estamos. Você foi meu erro que me levou mais longe. Uma prova de que você foi um dos meus únicos acertos camuflado de erro. Às vezes queria começar de novo, mas sei que seria impossível esquecer o que passou. Todavia, o passado está no passado por um motivo. Talvez uma frustrada tentativa de nos dizer “siga, não olhe para mim, fiquei antissocial”. O passado, de um jeito ou de outro, corre para nos assombrar, nos lembrar de quem fomos, somos ou no transformamos. De alguma forma eu sei que o passado tenta criar uma ponte entre nossos erros e o conserto para eles. Se você foi meu erro, foi um erro bem errado para persistir tanto nesse conserto. Sinto às vezes saudades sua, Alguém. Por mais que não te nomeie, sei o nome de todos que caberiam certinho no lugar desse “Alguém”. Perdemos chances, não suprimos vontades. Digo, às vezes, que fui empurrando algumas coisas com a barriga. Que força que tive! O passado vinha sobre mim e eu fingia assoviar e cantarolar, sabe, aquela coisa bem besta pra tentar não ouvir o que se tem a dizer. Mas sempre ouvia! Não gosto de perder histórias. Essa passado tão “antissocial” insistia tanto em mim. E em você, Alguém. Lembranças, esse passado só me falava de lembranças e memórias. Não sabia o que ele queria! Parecia querer fazer com que eu sofresse. Por isso, depois de tanto assistir a filminhos da minha vida antes de dormir, ou até mesmo em meus sonhos, passei a desligar a minha mente para o tal passado. O passado queria me chamar, mas eu tentei enterrá-lo na maior profundeza do meu corpo: meu coração. Aquele maldito órgão que bate feito trouxa por Alguém. Que vibra e canta por um Alguém. Mas que é orgulhoso. Não! Não! Ele não sabe ser orgulhoso. Só chora e lamenta-se, ama e luta freneticamente. A mente acalma-o. A mente controla o corpo, por mais que a mente dependa do coração. A mente é calculista. Tantos cálculos matemáticos e físicos dentro dela que ela não tem tempo para guardar passado, guardar lembranças, guardar amores. AH! Que amores. A mente é orgulhosa e intelectual de mais para isso. Ela protege esse coração sensível. A mente diz para esse coração calar a boca quando vem com seus sentimentos em versos. Mas o corpo segue vazio. Quando a mente domina, tudo parece um buraco enorme de escuridão. Tudo perde o sentido. Perde as cores. Os olhos vêem preto e branco e os sorrisos saem como “bons dias” em péssimos dias. Um dia, porém, sem aviso, sem demora, o passado consegue escapar das profundezas do coração e vem à tona. Devolve a cor aos olhos e o brilho aos sorrisos. Enche aquele buraco de borboletas. Esse passado, Alguém, por mais que me doa vê-lo, é o que me faz amar. É o que me traz esperanças todo dia. É aquele com tom ilusório, mas que dá um friozinho na barriga só de saber que a vida não pode ser calculada, não pode ser prevista ou analisada. Esse passado traz consigo memórias de uma época boa e a esperança de uma época melhor. O tempo pode ter passado Alguém, coisas podem ter ido e vindo. Eu posso ter mudado, você também. Mas uma coisa que não nego, é que suas lembranças, nossas lembranças, Alguém, nunca serão esquecidas, mesmo que, por um tempo, abafadas dentro de um coração urgente, e ignoradas por uma mente, o passado sempre da um jeito de voltar até nós. Agora não sei do que estou mesmo falando! Estou dizendo mesmo do passado ou estou falando do amor? Ah, Alguém! Algum dia, espero descobrir. Juntos, eu digo. Se o passado está tão certo, acho que é isso que ele tanto sussurra em meus ouvidos: que ele não quer ser só passado, está tentando virar presente - e futuro! —Obrigada por ser minha melhor lembrança, obrigada por não me deixar na escuridão. (Ana Aires)


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